Um jovem, iludido por promessas vãs
para a solução dos seus problemas, a maioria deles, inerentes à adolescência,
começa a experimentar drogas leves e em pequenas doses. Ao aceitar um primeiro
“charro” ignora, ainda, que está a dar o primeiro passo para um
precipício que acabará por destruí-lo.
As primeiras perturbações
manifestam-se rapidamente e ele torna-se ocioso, perde o gosto por todo o
esforço físico. Todos os prazeres e interesses da vida vão-se perdendo. A
alegria, a curiosidade, a sensibilidade, o respeito pelos outros e a sexualidade
vão, progressivamente, desaparecendo.

Entretanto caiu numa teia em que
imperam fortes interesses capitalistas. O vício rapidamente se instala: a dose
vai aumentando e a força da droga também. O jovem torna-se um toxicodependente.
Como a droga é muito cara, o toxicómano, que não pode passar sem ela, paga-a a
qualquer preço e torna-se capaz de cometer crimes para obter as doses de que
necessita.
O viciado torna-se um destroçado
físico e moral. A sua recuperação será muito difícil, mesmo com a ajuda de curas
de desintoxicação.
Presentemente, é importante que os
jovens tenham conhecimentos que lhes permitam compreender o quão complexa é esta
problemática, de forma a facilitar a criação de mecanismos de defesa nas
situações de risco de consumo.
A ligação de jovens e adolescentes
com drogas é vivida diariamente por milhares de famílias no seu dia-a-dia.
-“Cada ser humano tem uma história
diferente. Não existe uma fórmula que explique como ou porquê um jovem procura
as drogas. No entanto, é possível
dizer que o abuso de drogas por adolescentes é uma das consequências da cultura
imediatista, desapaixonada e carente de novas ideias e ideais que vivemos nos
últimos anos", afirma o psicoterapeuta Flávio Gikovate, autor de livros
como “Drogas - Opção de Perdedor” e “A Arte de Educar”.
A dependência das drogas é semelhante
a comportamentos como comer ou consumir compulsivamente, que também cresceram
muito nos últimos anos. Vivemos numa sociedade que estimula a dependência e que
reprime os gestos autónomos com muito rigor, fazendo com que as pessoas busquem
conforto em algo de que dependam.
Especialmente nas últimas décadas,
desde que as drogas passaram a ser “moda”, diversas pesquisas científicas tentam
identificar os motivos que levam o ser humano a recorrer às drogas: A influência
do grupo? A insegurança diante da vida? A necessidade de amenizar a dor ou a
fome? A busca do prazer? Na verdade, o homem pode buscar a droga por todos esses
motivos. Mas, entre os adolescentes, a droga tem uma relação directa com a falta
de perspectivas, com o tédio, com a dificuldade de lidar com a vida de forma
responsável. Não se sabe ao certo se esses aspectos são a causa ou o efeito da
droga, mas um adolescente com pouco interesse pela vida e pelos relacionamentos
humanos está mais propenso a procurá-la.
Muitos jovens e adultos que se
dirigem a centros de tratamento para pedir ajuda referem que querem deixar a
droga mas que não conseguem viver sem ela e acrescentam ainda que a droga já não
lhes dá qualquer prazer. Contudo, a falta dela provoca-lhes um enorme vazio.
Durante o tratamento, o toxicodependente confronta-se com uma situação muito
complicada: Precisa de afastar-se da droga que lhe consumiu abusivamente a vida
e reconquistar a confiança em si e nos outros, assim como o gosto pela vida.
Este percurso é, muitas vezes, interrompido por recaídas, pois a dependência
psicológica da droga é difícil de ser resolvida.
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