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terça-feira, 28 de maio de 2013

As consequências das drogas

       O consumo de drogas causa, certamente, uma sensação agradável. Caso contrário, as pessoas não a consumiriam. Mas as consequências são tão graves e provocam tanto sofrimento que nenhum toxicómano se lançaria nessa viagem sem volta se, ao iniciar o consumo de drogas, tivesse total consciência dos efeitos que estas iriam provocar no seu próprio organismo e nas suas relações com a sociedade.
     Um jovem, iludido por promessas vãs para a solução dos seus problemas, a maioria deles, inerentes à adolescência, começa a experimentar drogas leves e em pequenas doses. Ao aceitar um primeiro “charro” ignora, ainda, que está a dar o primeiro passo para um precipício que acabará por destruí-lo.

                As primeiras perturbações manifestam-se rapidamente e ele torna-se ocioso, perde o gosto por todo o esforço físico. Todos os prazeres e interesses da vida vão-se perdendo. A alegria, a curiosidade, a sensibilidade, o respeito pelos outros e a sexualidade vão, progressivamente, desaparecendo.

Entretanto caiu numa teia em que imperam fortes interesses capitalistas. O vício rapidamente se instala: a dose vai aumentando e a força da droga também. O jovem torna-se um toxicodependente. Como a droga é muito cara, o toxicómano, que não pode passar sem ela, paga-a a qualquer preço e torna-se capaz de cometer crimes para obter as doses de que necessita.

       O viciado torna-se um destroçado físico e moral. A sua recuperação será muito difícil, mesmo com a ajuda de curas de desintoxicação.

      Presentemente, é importante que os jovens tenham conhecimentos que lhes permitam compreender o quão complexa é esta problemática, de forma a facilitar a criação de mecanismos de defesa nas situações de risco de consumo.

     A ligação de jovens e adolescentes com drogas é vivida diariamente por milhares de famílias no seu dia-a-dia.

   -“Cada ser humano tem uma história diferente. Não existe uma fórmula que explique como ou porquê um jovem procura as drogas. No entanto, é possível dizer que o abuso de drogas por adolescentes é uma das consequências da cultura imediatista, desapaixonada e carente de novas ideias e ideais que vivemos nos últimos anos", afirma o psicoterapeuta Flávio Gikovate, autor de livros como “Drogas - Opção de Perdedor” e “A Arte de Educar”.

   A dependência das drogas é semelhante a comportamentos como comer ou consumir compulsivamente, que também cresceram muito nos últimos anos. Vivemos numa sociedade que estimula a dependência e que reprime os gestos autónomos com muito rigor, fazendo com que as pessoas busquem conforto em algo de que dependam.

    Especialmente nas últimas décadas, desde que as drogas passaram a ser “moda”, diversas pesquisas científicas tentam identificar os motivos que levam o ser humano a recorrer às drogas: A influência do grupo? A insegurança diante da vida? A necessidade de amenizar a dor ou a fome? A busca do prazer? Na verdade, o homem pode buscar a droga por todos esses motivos. Mas, entre os adolescentes, a droga tem uma relação directa com a falta de perspectivas, com o tédio, com a dificuldade de lidar com a vida de forma responsável. Não se sabe ao certo se esses aspectos são a causa ou o efeito da droga, mas um adolescente com pouco interesse pela vida e pelos relacionamentos humanos está mais propenso a procurá-la.

       Muitos jovens e adultos que se dirigem a centros de tratamento para pedir ajuda referem que querem deixar a droga mas que não conseguem viver sem ela e acrescentam ainda que a droga já não lhes dá qualquer prazer. Contudo, a falta dela provoca-lhes um enorme vazio. Durante o tratamento, o toxicodependente confronta-se com uma situação muito complicada: Precisa de afastar-se da droga que lhe consumiu abusivamente a vida e reconquistar a confiança em si e nos outros, assim como o gosto pela vida. Este percurso é, muitas vezes, interrompido por recaídas, pois a dependência psicológica da droga é difícil de ser resolvida.

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